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04/10/2018

Preparação dos maratonistas japoneses Olimpíadas de Tóquio

Post da Nagai

O Japão já sediou inúmeros eventos tais como Copa do Mundo (2002 na Coréia do Sul e Japão), Olimpíadas de Inverno (1972 em Sapporo; 1998 em Nagano) e Olimpíadas de Verão (1964 em Tóquio)

O nível de conservação dos estádios, organização dos eventos e envolvimento dos japoneses é notório.

Morei em 2010 na cidade de Yokohama, trabalhava em Tóquio e por todos os lados podia perceber como a nação respirava o futebol durante a Copa do mundo.

No evento de fechamento das Olimpíadas Rio 2016, foi representada a passagem de bastão entre Brasil e Japão através de uma apresentação futurista nas cores da bandeira branco e vermelho.

As Olimpíadas de Tóquio se inicia em 24 de julho em 2020.

 

Investimento para formar atletas de alta performance desde cedo

O Japão já investe em corrida de longa distância e tem como um dos principais eventos de promoção do esporte, os “Ekidens”, que são corridas de revezamento entre equipes de corredores profissionais, universitários e também amadores.

 

Ekiden de Hakone, um dos mais tradicionais do país

 

Marcas de forte presença nacional como Nissin, Honda, Toyota, etc. patrocinam os atletas de destaque oferecendo recursos básicos e assessoria através de uma equipe de treinadores.  

No passado e em equipes tradicionais, o calendário de provas era determinado exclusivamente pelo treinador (e patrocinadores), sem levar em conta as opiniões dos  atletas.

A flexibilização vem aos poucos acontecendo com jovens treinadores e alguns atletas – como Suguei Osaka – treinam fora do país, nos Estados Unidos com a equipe Oregon Project (a mesma de Galen Rupp, liderada por Alberto Salazar).

Já Yuki Kawauchi, atleta japonês amador campeão da última maratona de Boston, não é associado a nenhuma equipe profissional.

 

Yuki Kawauchi na vitória surpreendente em Boston

 

Método de treinamento japonês

A crítica negativa ao sistema japonês é o apoio na disciplina árdua e treinamento intenso que expõem o atleta ao overtraining, que leva a lesões e burnout.

Atletas quando ainda estudantes chegam a acumular 200km semanais (800k por mês) e aos 25 anos já sentem os efeitos do treinamento excessivo.

O sistema queniano permite mais descansos (um dia livre na semana) e treinos de rodagem com ritmo leve.

Isso pode ser uma contribuição para japoneses não figurarem nos eventos internacionais, bem como a prioridade dada aos Ekidens conflitando com calendário de treino para as principais maratonas.

Para aprofundar mais no assunto, recomendo o livro de Adharanand Finn, chamado de “The Way of the Runner” que retrata a cultura da corrida no Japão.

 

Expressivas marcas em 2018

O Japão já foi uma potência na corrida na década de 60, detendo mais de 90% dos melhores tempos e na frente de nações como Quênia e Etiópia.

Excluindo países africanos, o país merece ainda destaque junto com Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, etc.

Selecionando os resultados na Abbott World Marathon Majors apenas dos atletas top 10, o Japão tem 10 marcas sub 2h10min no masculino e 4 marcas sub 2h30min no feminino.

A Maratona de Tóquio foi tão competitiva esse ano que teve 8 japoneses correndo abaixo de 2h10min (os listados abaixo mais 3 acima do top 10).

A título de comparação, os atletas de elite brasileiros esse ano estão correndo na casa de 2h13min e o Quênia possui o recordista mundial, único na correr na casa de 2h01 (Kipchoge 2:01:39).

 

Top 10 Masculino

(Ordem  de evento – mais recente)

Nakamura, Shogo   2:08:16 (#4 Berlim’18)

Uekado, Daisuke     2:11:07 (#8 Berlim’18)
Sato, Yuki                2:09:18 (#6 Berlim’18)

Kawauchi, Yuki        2:15:58 (#1 Boston’18)

Shitara, Yuta*         2:06:10 (#2 Tóquio’18)

Inoue, Hiroto            2:06:53 (#5 Tóquio’18)

Kiname, Ryo            2:08:07 (#7 Tóquio’18)

Miyakawa, Chihiro   2:08:44 (#8 Tóquio’18)

Yamamoto, Kenji     2:08:46 (#9 Tóquio’18)

Sato, Yuki                2:08:57 (#10 Tóquio’18)

*NOVO Recorde nacional masculino

 

Yuta Shitara na Maratona de Tóquio 2018

 

Top 10 Feminino

Matsuda, Mizuki      2:22:23 (#5 Berlim’18)

Maeda, Honami        2:25:23 (#7 Berlim’18)

Uehara, Miyuki         2:25:46 (#9 Berlim’18)

Ohara, Rei                2:27:29 (#10 Berlim’18)

Yoshitomi, Hiroko     2:30:15 (#6 Tóquio)

Nakano, Madoka      2:31:40 (#7 Tóquio)

Uesugi, Mao             2:31:32 (#8 Tóquio)

Imada, Marie            2:31:59 (#9 Tóquio)

 

Mizuki Matsuda, bons resultados em Berlim

 

O Japão tem chances consideráveis de colocar seus atletas dentro do top 10 da Maratona Olímpica.

Elenco de atletas esforçados e talentosos não vai faltar.

 

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