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19/09/2018

Violência contra mulheres corredoras

Coluna do treinador, Iuri Lage

Em julho desse ano uma jovem corredora amadora chamada Mollie Tibbett foi assassinada enquanto treinava próximo a sua casa, na cidade em que morava nos Estados Unidos.

 

Esse triste crime, além de causar indignação, trouxe a tona o tema “violência contra as mulheres” no mundo da corrida.

 

Pelo que encontrei, parece que são raros os casos de homicídio em mulheres corredoras como Mollie, por outro lado violências verbais, intimidação e assédio sexual são mais comuns do que nós imaginamos!

 

Infelizmente muitos homens  interpretam roupas esportivas e corpo atlético como abertura para comportamentos invasivos e desrespeitosos com mulheres em pleno século 21!

 

Em 2016 a revista americana Runner’s World fez uma pesquisa perguntando suas leitoras corredoras sobre assédio e violência, e os números são assustadores:

 

  • 54% disseram se sentir vulneráveis e pensam na violência que pode sofrer toda vez que sai para correr
  • 30% das mulheres disseram que já foram perseguidas por uma pessoa de carro, bicicleta ou a pé durante a corrida
  • 18% disseram terem sido assediadas verbalmente
  • 5% disseram ter sido fotografadas sem a sua vontade (!?)

Procurando mais a fundo encontrei uma pesquisa de alcance mundial sobre violência contra mulheres realizada pela CNN em novembro do ano passado. Os números encontrados quando ampliamos para todo tipo de mulher em diferentes partes do planeta são estarrecedores:

 

  • 35% das mulheres pesquisadas já sofreram violência física ou sexual
  • 90% das mulheres de Papua Nova Guiné já experimentam algum tipo de violência física em transportes públicos
  • 99% das mulheres do Égito passaram por algum tipo de assédio sexual
  • 64% das mulheres inglesas já sofreram assédio sexual em espaços públicos
  • 43% das mulheres nigerianas casam antes dos 18 anos

 

E atenção:

86% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de assédio ou violência sexual

 

Isso significa que cada 10 mulheres que você conhece, pelo menos 8 passaram por esse tipo de problema!

 

Essa mesma pesquisa informou que 84% das mulheres brasileiras interrogadas já sofreram assédio sexual de policiais (What?)

 

Para conferir todos esse números e ter acesso a pesquisa completa basta clicar aqui.

Voltando ao nosso mundinho da corrida

Você marmanjo pode está pensando:”Quando vejo uma mulher bonita eu apenas elogio, é quase uma brincadeira.”.

 

Então… Acho melhor mudar esse conceito.

 

Para isso, é preciso tentar se colocar no lugar dessas mulheres.

 

Imagina ser encarado nos olhos, após ser observado de cima em baixo e em seguida ouvir palavras repugnantes e fora do contexto (para não falar outra coisa) de uma pessoa com mais força física que você!

 

Sem falar na frustração de não poder reagir pelo medo de que qualquer ação seja gatilho para violências piores acontecerem.

Apesar de ser homem, me arrisco afirmar com convicção que nenhuma mulher se sente atraída por esse tipo de abordagem durante seu treino de corrida.

 

E o que se faz para lhe dar com tudo isso

Simples, as mulheres controlam os fatores que estão dentro das suas possibilidades, mesmo que isso significa abrir mão do seu conforto ou liberdade.

Como por exemplo:

  • Não correr sozinha
  • Não usar top ou shorts em dias quentes
  • Não correr após o por do sol
  • Não correr com celular
  • Alterar percursos para não passar no mesmo local cheio de homens escrotos
  • Correr de cabeça baixa para evitar qualquer sinal de “abertura”
  • Atravessar a calçada com medo de ser tocada

Difícil, né?

 

E o que podemos fazer para mudar esse cenário?

Não existe uma solução imediata e fácil, até porque a assédio sexual e machismo são problemas sociais complexos.

 

Conversas abertas e honestas sobre o assunto – incluindo ambos os sexos – são na minha opinião um passo na direção correta.

 

Muitas vezes, o assédio na rua é normalizado e minimizado. Ouvir as mulheres com empatia procurando saber como elas se sentem em situações mínimas de assédio é muito importante.

 

Outro caminho que considero fundamental são os homens manifestarem reprovação quando testemunharem comportamentos machistas e violentos de amigos ou colegas.

 

Particularmente já passei diversas vezes por situações como essa e somente agora (aos 36 anos) estou conseguindo me posicionar demonstrando verbalmente meu desconforto com essa atitude

Vamos conversar mais sobre isso

Acho legal ouvir o que as mulheres tem a dizer sobre esse tema, afinal como homem reconheço a limitação da minha fala por nunca ter sentido na pele esse tipo de problema.

 

Por isso, gostaria de deixar o blog da BHRace a disposição para qualquer mulher que queira relatar sua experiência em relação a assédio sexual ou outro tipo de violência.

 

Basta enviar seu texto para iurilage@bhrace.com.br que publicamos.

 

Ah! Fique à vontade de escrever nos comentários também. 😉

 

Forte abraço

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