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20/08/2018

A dor de uma lesão por Junior Nino

Fala corredor, Relatos

Este depoimento é para mostrar o quanto sofremos com a parada abrupta no nosso esporte preferido, seja ele qual for, ocasionado por uma lesão.

Perdemos um pouco (ou muito) as cores da vida.

Por muitas vezes na minha vida corri para perder peso ou (tentar) mantê-lo.

Isso porque desde a infância tive sobrepeso.

A ultima vez que comecei a correr com esse objetivo principal foi em meados de 2016, após se recuperar de uma alergia que me impedia de fazer exercícios.

Foi quando um amigo no início de 2017 recomendou participar de corridas de rua, o que ele já havia começado a fazer a pouco tempo.

Pra mim que já vinha correndo seria bacana essa nova experiência.

Comecei a treinar direto 5, 6, 7 kms e estreei na primeira prova em maio de 2017.

A partir dai a paixão por corrida foi aumentando, treinando mais vezes, querendo melhorar o pace, se enturmando com corredores da cidade, e claro, buscando provas para correr.

Aqui no interior do Mato Grosso do Sul não tem provas todo final de semana igual diversas cidades maiores, além da distância para chegar nas cidades vizinhas que promovem corrida variar entre 60-150km.

Então entre 1-2 meses comecei a participar de provas, mas treinava de maneira que vinha na minha cabeça.  Saia sem plano e fazia o treino na hora sem ter muito conhecimento dos diferentes tipos que existem.

 

Meus primeiros pódios

Mesmo treinando desta maneira desordenada, fui melhorando aos poucos e por acaso cheguei a dois pódios, um em novembro e outro em dezembro.

Nem acreditei, parecia mentira…

Até porque não achava meus tempos bons (não sei, mas talvez a gente nunca acha e sempre queira melhorar kkkk). Nunca havia ganhado nenhum troféu em um esporte que dependesse somente de mim.

A partir dai comecei a ver a corrida de maneira diferente, comecei a pensar que eu poderia ser melhor nisso, me dedicar mais.

Quis trazer amigos e familiares para este mundo.

Comprei um plano para minha esposa chamado “Do Sofá Aos 5k” e foi ai que conheci a BHRace e fui saber um pouco mais sobre assessoria de corrida.

Durante dezembro 2017 e janeiro 2018 fiz os treinos com ela (minha esposa) para incentivar.

E depois disso decidi que precisava de uma planilha individual para mim também, de ter algo certo para fazer em cada treino, de acordo com minhas capacidades particulares, com meus objetivos e feito por quem entende e sabe variar os tipos de treino e períodos de treinamento.

Comecei em março uma planilha, e por indicação do treinador Iuri também procurei um Cardiologista e um Nutricionista Esportivo.

Comecei a alinhar tudo para melhorar meu rendimento. A única recomendação do meu treinador que fiz “meia boca” foi o fortalecimento muscular.

Fui seguido a planilha, dieta, 6kg a menos.

Fiz provas nesse tempo no meio da planilha.

A melhora da performance já havia sido notada, e por acaso, mais 2 pódios por categoria de idade. Em cada um deles ainda batia a dúvida de “será que fui bem pra merecer esse pódio, meu tempo parece tão ruim”, mas deixa pra lá esse pensamento, e já que ganhei vamos comemorar e continuar o plano.

A prova alvo era no início de junho, mas 1 mês antes a prova foi cancelada.

Desanima claro, mas fazer o que, vamos mudar o objetivo.

Decidi que queria estrear em uma Meia Maratona, seria em agosto, renovei o plano da planilha, avisei Iuri, disse que daria de acordo com as analises da minha planilha anterior que já tinha alguns treinos longos.

Fiz a inscrição, comecei a nova planilha, continuei a dieta, mas não dei início no bendito fortalecimento.

 

Será que é uma lesão?

Na segunda semana da planilha, no dia 29 de junho, durante um treino de 16km em área rural (subida, descida, areia, cascalho, chão batido) senti uma dor na lateral do joelho esquerdo no km 9.

A dor foi aumentando aos poucos, diminuí o ritmo mas não quis abandonar o treino e consegui levar até os 16km.

Já fiquei preocupado, continuou doendo por 2 dias no final de semana.

Procurei médico na cidade e o mesmo disse para tomar anti-inflamatório e poderia ser um desgaste no músculo por ter sido um treino pesado, portando deveria tentar treinar novamente de maneira mais tranquila e pouca distância.

Fui tentar, só tentar mesmo, pois deu 30 segundos e já não consegui continuar.

Que m****!

Só pode ser  uma lesão.

Pesquisei e parecia ser a chamada Síndrome do Trato Iliotibial (STIT), ou Síndrome da Banda Iliotibial ou Joelho de Corredor.

Procurei ortopedista especialista em joelho e quadril em outra cidade.

Realmente era lesão, Síndrome do Trato Iliotibial ou Condromalacia Patelar.

Não deu certeza pois não pediu ressonância, primeiro por não estar doendo e também não ter inchado.

Também por não ter um plano de saúde (pois é um exame muito caro).

Indicou 15 sessões de fisioterapia, continuar o anti-inflamatório e aquilo que eu não queria ouvir “você terá que parar de correr por um tempo, infelizmente a estreia na Meia Maratona terá que ser adiada”.

Que m**** novamente!

 

Dificuldade de aceitar

Foi muito difícil aceitar, não estava preparado psicologicamente para esta lesão, estava evoluindo bem, tinha planos e pensar que iria perder ritmo, resistência, performance me deixava mal.

Tive que aceitar, mas passei a oscilar momentos de tristeza e raiva.

Me afastei de grupos de whatsapp de corrida, desativei o Strava, evitava passar em praças que pessoas estavam correndo, tudo que me levava a corrida.

Ver pessoas correndo me dava um misto de raiva e tristeza, porque eu queria estar lá, estava sentindo muita falta, meu corpo pedia aquela sensação, a endorfina.

E minha mente não queria aceitar a perda de tudo que eu vinha melhorando.

Fiquei alguns dias sem conseguir dormir, chorei de madrugada por não querer aceitar.

Descobri que a lesão tem algumas fases: Negação, raiva, negociação, tristeza, aceitação e reorganização.

Segui a recomendação do médico, parei, comecei a fisio.

Após algum tempo entrei na fase da aceitação.

Fui procurar entender o que poderia ter causado isso. Pode ser tanta coisa: Corrida em região com muito desnível de terreno; calçado inadequado; sobrecarga de treinamentos; encurtamentos musculares; pisada; alterações biomecânicas.

Não tinha como saber exatamente o que foi, deve ter sido multifatorial, principalmente o terreno, encurtamento muscular e alterações biomecânicas.

O negócio é tratar tudo isso, pra recuperar e evitar próximas lesões.

Passou incansáveis 45 dias. Terminei as sessões da fisio.

 

Parecia que estava finalmente recuperado

Retornei ao ortopedista e fui liberado para voltar aos treinos. “Somente terreno plano, asfalto e devagar neste início, nada de forçar muito, fazer tiros”.

Após 10 minutos do início a dor começou a dar as caras, não queria acreditar, estava num trote muito leve, quase caminhando, mas foi aumentando gradativamente até que aos 20 minutos resolvi parar para não aumentar ainda mais.

Com o perdão da palavra mais uma vez, QUE M****!!!!!!!

As vezes penso que não sei se vou poder voltar a correr, pelo menos sem essa dor, penso que não vou poder voltar ao ritmo que eu estava ou melhorá-los.

Passa muitas coisas na cabeça…

Sem contar a grana que gasta com tudo isso sem ter um plano de saúde.

Fiz o exame da baropodometria mas não deu tantas alterações, apesar de confirmar a pisada supinada, mas nada exagerado.

Fiz a avaliação biomecânica da corrida para buscar melhorar algumas deficiências, estou fazendo alongamento diariamente para a banda iliotibial e também estou iniciando a auto liberação miofascial e fortalecimento muscular numa academia.

Vou contar com o Programa de Reforço Muscular e Prevenção de Lesão da BHRace, pois havia contratado uma semana antes de me lesionar, mas após a lesão pedi para o treinador nem montar e aguardar.

Sei que meu caso e de muitos outros corredores, temos que parar a corrida pra tratar.

Isso é complicado, pra mim ainda está sendo.

Talvez por ser a primeira lesão é pior ainda, difícil estar preparado e aceitar bem.

Apesar de desanimar as vezes, estou buscando pensamentos positivos para me recuperar e voltar a correr.

Desejo que aqueles que não tiveram esse tipo de situação nunca passem por isso, e aqueles que estão passando que se recuperam o quanto antes.

Já entendi que na vida de quem se dedica a um esporte, escolhe ser um atleta (mesmo que amador), a ocorrência de uma lesão é iminente, mas podemos tentar evitar ao máximo.

Bons treinos a todos!

Fé!

 

Junior Nino

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Fábio
Fábio
3 meses atrás

Falaa amigo, estou passando pelo mesmo problema. mesmo depois de alguns meses parado, fazendo alongamentos.. a dor sempre volta..
Conseguiu superar está lesao? fez qual procedimento?
valeuu

Karla
Karla
16 dias atrás
Reply to  Fábio

Nossa. Me identifiquei totalmente com seu relato e estou a 5 meses tentando sarar dessa Síndrome!! Mas comigo foi pedalando. A 4 meses fazendo fortalecimento, alongamento , massagem miofascial, já fiz agulhamento não consigo passar dos 25/30km. Pedalava antes 50km. Tb estou na procura de alguém que se curou.

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