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15/11/2017

Existe vida pós-maratona?

Maratona, Post da Nagai

Falar de estréia em maratonas é um assunto comum entre atletas amadores. Mas, nós, corredores, refletimos e discutimos muito menos a respeito da transição pós-maratona. Afinal, a façanha está em justamente percorrer a distância e ganhar o título de maratonista? Existe vida pós-maratona e se positivo, como ela é?

Neste post, comento das minhas duas experiências em maratonas e das minhas observações com outros atletas com os quais tive interação nesta fase pós-maratona!

 

Os passos mais doloridos após correr 42,195km.

Não existe sentimento mais incrível que cruzar a linha de chegada dos 42,195km, mas nos passos seguintes após a linha de chegada é sofrimento puro.

É como se você fosse atingido por um martelo invisível e todas as dores reaparecem… você quer sentar e nenhum voluntário te permite sentar no chão. Basta deitar ou sentar que você imediatamente será carregado para área de atendimento médico.

Nestas horas, o desejo de ser teletransportado para sua casa é incontrolável.

 

Dias de Euforia: MondayMedal e Overposting.

Depois de sofrer com as assaduras que ardem no banho, identificar as bolhas e unhas perdidas, vem a vontade de divulgar para o mundo que você, sim, é um maratonista.

Os mais conectados nas redes sociais possivelmente já fotografaram o garmin e já publicaram fotos no trajeto para hotel ou casa.

Daí, vem a euforia de localizar e comprar as fotos tiradas pelos sites de fotografia esportiva, escrever textões agradecendo família, todos da assessoria, treinador, nutricionista, cachorro, papagaio… Não basta postar, tem que monitorar os likes e comentários dos amigos.

Alguns escrevem post como eu, outros preferem levar a medalha no treino para mostrar.

Depois é sair pelas ruas com medalha no peito para ganhar “Congratulations”. Na rua, todos te parabenizam no “Monday Medal”, segunda-feira em que todos saem nas ruas com suas medalhas. Dia muito comum nas provas americanas como a Maratona Chicago ou Nova Iorque.

Na maratona em Chicago, identifiquei corredores até na quinta-feira andando mancos pela cidade com a medalha no peito. Acho que tanto sacrifício justifica overposting e invalida qualquer título de cafona por parte dos não-corredores aos maratonistas eufóricos.

Para viver a experiência completa, tem que gravar o nome e o tempo no verso da medalha.

Ano passado fiquei pilhada por umas duas semanas, revivendo a minha primeira maratona de São Paulo 2016 e pesquisando qual seria a segunda maratona do meu currículo na internet com os corredores mais experientes.

 

Tempo OFF na corrida.

Afastamento da corrida, para mim, é algo muito difícil e está destinado a uma casta superior de corredores zens que conseguem abandonar a corrida por algumas semanas e transitar por outros esportes.

Juro que tentei dessa vez abstrair na semana após a Maratona de Chicago e consegui no período de 3 a 4 dias, em que minhas pernas estavam moídas, que não conseguia descer ou subir escadas sem fazer caretas ou quando as pernas doíam só de encostar nelas. Estar de férias e em viagem, permitiram ficar esses poucos dias “ausente”.

 

Semanas de transição…

As primeiras palavras após os 42km que já ouvi de treinadores são “manuntenção” e “destreino”.

Eu pensava: “Sério que está me pedindo isso? Depois de tanto esforço para chegar nesse pace, quero ficar para sempre neste nível de condicionamento” .

Claro que isso é impraticável, mas nossas expectativas muitas vezes se baseiam na ideia que sua evolução vai ser permanente, quando na verdade, seu corpo precisa dessa queda para recuperar.

Distâncias de 15…18…21km,  passam a ser menos assustadoras, afinal tudo abaixo de 30km passa a ser uma tranquilizadora “voltinha”. Treinos de 30 ou 40 minutos podem ser sucedidos de sentimento de que você não finalizou seu treino, pois o padrão era treinar por no mínimo duas horas.

Não é mais necessário, controlar obsessivamente o que comer na sexta antes do longão, madrugar para o treino 6hrs e carregar todo arsenal de suplementos. As dores diárias passam a se limitar após os treinos de intensidade e você deixa de perder sábados de tarde com as pernas para o ar tão necessários.

 

Cavalo de corrida (expectativa) ou Tartaruga (realidade)?

Repito outra máxima, de que sequência de recordes pessoais são batidos após maratona. Muita gente se sente um cavalo de corrida, aproveitando todo nível de condicionamento cardiorrespiratório e muscular.

Nisto eu realmente me frustrei, porque meus recordes nas distâncias não vieram imediatamente após a maratona. Eu me sinto mais para uma tartaruga, porque parece que vira a chave. Corpo e mente relutam a desenvolver como nas últimas duas semanas antes da Maratona.

Na minha opinião, o melhor a fazer é ceder a vontade do seu corpo e mente, não é mais necessário tanto controle de ritmo. Penso que até forçar para manter o ritmo da maratona pode expor o atleta a lesões, então neste quase um mês após Chicago me permiti correr bem de boa e meu primeiro treino de qualidade rolou somente no segundo final de semana de novembro já mirando a Volta da Pampulha.

 

Enfim…o Antes e Depois da maratona são igualmente bons!

Em resumo, existe sim uma vida pós-maratona. E essa deve ser curtida e respeitada da mesma maneira que o “antes” da maratona.

Justamente dando a devida ênfase nesta transição que conseguimos fazer uma “higiene mental” e nos motivar a iniciar novos projetos para maratonas.

 

 

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