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30/03/2010

VIAGEM E CORRIDA – PARTE 2

Coluna do treinador

 

Após a chegada, quinta-feira em Buenos Aires, fizemos um treino leve na sexta pelos Bosques de Palermo (bairro charmossísimo que resume bem a capital argentina) e já no sábado pela manhã estávamos eu e o Samuca dentro do carro indo para a cidade de Tandil, onde seria realizada a corrida.

A viagem durou 4 horas de uma reta só! Isso mesmo, na Argentina parece que as estradas não têm curvas… Para nos distrair, ouvíamos no rádio o contagiante ritmo comum no país chamado “reggaeton”, reforçados pelas vozes das nossas amigas corredoras porteñas Paula e Maita, que nos davam carona.

Chegando à cidade, logo almoçamos e fomos pegar os kits em um clube. A camiseta da prova (obrigatória durante a corrida) decepcionou um pouco, porém a feira de esportes ao lado da entrega dos kits estava interessante, com produtos baratos e de boa qualidade.

Em seguida, fomos até a beira de um lindo lago tomar mate (também conhecido como chimarrão) com a equipe da Paula, nossa amiga. Foi tudo muito interessante, pois se tratava de uma BH RACE Argentina! As pessoas, o relacionamento, o astral, as conversas, tudo era muito parecido com o que fazemos aqui entre a gente, porém em um lugar diferente e com pessoas falando outra língua.

Visto o por do sol, fomos para o hotel, tomamos banho e voltamos ao local da entrega de kits para o tão comentado naquela tarde “Congresso Técnico”. Comum em provas de triathlon aqui no Brasil, trata-se de uma breve apresentação dos organizadores sobre tudo que irá acontecer durante a corrida, como postos de hidratação, ambulâncias e características do percurso. Mas nesse caso, fiquei muito surpreso! Não se tratava apenas de uma palestra, mas sim de um grande evento, com vídeos motivacionais, apresentações de artistas da cidade, jogo de luz, música alta e todos o corredores presentes. Muito legal!

Depois da “festa”, direto para o jantar de massas e cama rumo ao domingo…

Acordamos tranqüilos, colocamos a roupa e fomos de carro até o local da largada. Nada muito diferente do Brasil, pessoas agitadas e ansiosas, filas enormes no banheiro e um friozinho típico de uma manhã do outono argentino.

Contagem regressiva e com meu coração acelerado começo a correr com aquela multidão de malucos! No início todo mundo muito devagar, pois os primeiros 600m são de uma subida duríssima e ninguém queria forçar logo no início sabendo que 28km deveriam ser percorridos. Em seguida, uma bela descida e o início da estrada de terra que acompanhariam os corredores até o final!

Com o clima muito ameno e pouquíssimas inclinações, posso dizer que os 19 primeiros km dessa prova foram apaixonantes. Fazendas enormes, crianças estendendo as mãos para tocar os corredores, campos de golf, cavalos, pedras monumentais, sombra e brisa fresca.

Haviam nos alertado no congresso técnico que os últimos 8km seriam os mais difíceis, e que as subidas das montanhas nesse trecho eram “osso duro de roer”. Mesmo assim, fui levemente contagiado pela empolgação dos corredores e fiz um ritmo um pouco mais veloz do que havia estabelecido para mim no primeiro trecho.

Meu Garmin já apontava o final do 19º km, quando de repente me senti o Claudio Souza, meu atleta… Enxerguei o Everest na minha frente! E no meio dele, uma fila de formigas azuis que inacreditavelmente escalavam aquilo. Se vocês reclamam das subidas da Linha Verde, iriam chorar ao ver essa montanha! Seriam como 3 Serras do Curral uma em cima da outra, com inclinação próxima de noventa graus e em alguns casos utilizando a mão para vencer os obstáculos. Uma verdadeira escalada!

Exagero!? Por favor não deixem de conferir as fotos no site da BH RACE.

Lá fui eu, valente, no meio daquilo tudo. Chegando lá em cima, estava ainda recuperando meu fôlego quando um corredor argentino deu um grito altíssimo e caiu no chão se retorcendo e sentindo desesperadamente muita dor. Mais do que depressa procurei a cobra que havia mordido o rapaz, mas nada havia do seu lado! Na verdade, o que ele estava sentindo era uma cãibra na panturrilha como nunca havia visto alguém sentir antes… Sem pensar duas vezes peguei na ponta do seu pé e empurrei alongando a panturrilha e aliviando aquela contração involuntária. Já mais calmo, fui devagarzinho voltando a perna do corredor para o chão quando de repente outro grito e mais uma sessão de cãibra! Fiquei ali mais de dois minutos acalmando o rapaz que finalmente relaxou e conseguiu ficar sentado no chão esperando o resgate.

(continua amanhã…)

 

 

 

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Luciana Saldanha
10 anos atrás

Adorei, quero mais!
As fotos dão bem para imaginarmos o que foi a aventura. Dúvidas práticas: quanto tempo demorou para concluir o percurso? Quantas pessoas participaram? Incrível, um percurso tão complicado e pelas fotos parece que tem milhares de pessoas. Tem gente de outros cantos do mundo?
Parabéns Iuri, realmente o máximo.
Bj.
Luciana

Blog BH Race
Blog BH Race
10 anos atrás

Luciana,
obrigado pelo comentário.
Todas as sua perguntas serão respondidas na segunda parte do texto! Rsrsrsrs

Forte abraço

Iuri

Annette Loures
Annette Loures
10 anos atrás

Bárbaro Iuri!!!!!!!!! Genial!!!!!!!!!!!
Vi as fotos. Vc nunca mais esquecerá esta prova!
Mil parabéns pela garra , alegria em participar, disposição e ajuda ao corredor em apuros ( esta foi a parte que mais gostei) !!
Um abraço apertado a você !

Blog BH Race
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10 anos atrás
Reply to  Annette Loures

Muito obrigado pelo carinho Annette!
Sem dúvida foi uma prova inesquecível…

Forte abraço

Iuri

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