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09/08/2018

Sussu Rodrigues – Superação em maratonas

Fala corredor, Maratona

Mais de dez anos na corrida, algumas maratonas no currículo, histórico de pódios, treinador excelente e 4 meses de treinamento bem executados (incluindo reforço muscular) para Maratona do Rio.

Nada poderia dar errado nessa maratona! Certo?

Leia essa entrevista da nossa atleta Sussu e entenda porque a corrida não é assim tão previsível quanto parece (ainda mais se tratando dos 42km) e como ela se superou nesse ano de 2018!

 

Fillipe – Conta um pouco da sua história na corrida de rua e quais foram suas maratonas.

Sussu – Comecei a correr em dezembro de 2007, foi um professor da academia onde eu malhava que me chamou.

Logo me adaptei e me apaixonei pela corrida de rua.

Naquela época dava pra contar quantas pessoas tinham correndo na orla da lagoa da Pampulha nas noites de terça e quinta-feira (rs).

De lá para cá passei por 3 assessorias até chegar à melhor, a BHRace ;).

A corrida me fez mudar alguns hábitos de vida, por exemplo, eu gostava de ir para happy hour nas quintas-feiras ou sextas-feiras, mas depois que comecei a correr já era happy hour, porque ou corre ou bebe,né?

Com o tempo fui desenvolvendo: 5km, depois 10km, depois, 21km, até chegar aos 42km195m.

Teve a fase dos pódios, entre 2010 e 2014 quando ganhei troféu de 5º lugar, 3º lugar e 2º lugar em provas de 10km.

Nessa época empolguei e achava que competia! (rs)

Porém logo percebi que era melhor deixar os pódios acontecerem por acaso mesmo (fase de lesão).

A corrida me faz muito bem!

Conheci pessoas fantásticas nesses 10 anos.

Sou grata a Deus pelas amizades que me deu, você (Fillipe) é uma delas.  Apesar de “chato”, mas se Deus deu, eu tenho que aguentar!

Quanto às maratonas, já me escrevi para 4, mas corri 3 e ¼:

Em 2011 – Buenos Aires, a primogênita, tudo era novidade, dos treinos longos até a ansiedade na largada, nela tudo correu dentro do planejado, foi linda!

Em 2015 – Berlin Marathon, meu Xodó, periodização boa, cheguei confiante, larguei bem! De repente no 28km eu sinto uma forte dor na região do púbis (o músculo adutor estourou), mas eu nem imaginava que dor era aquela e muito menos a gravidade, então continuei correndo, quando a dor vinha forte eu diminuía o ritmo, quando aliviava um pouco eu acelerava (Fartlek dentro da maratona) mesmo assim ainda fechei sub 4h, foi fantástica!

Em junho 2018 – Maratona do Rio de Janeiro, minha tristeza, se dependesse apenas da dedicação nos treinos, essa tinha tudo para ser perfeita…Mas algo inexplicável aconteceu!

Em julho de 2018 – SP City Marathon, Superação de treinos e prova, levei o meu corpo ao limite.

 

Fillipe – Sabemos que você treinou quatro meses para a Maratona do Rio em junho/18 e infelizmente teve uma desidratação e teve que abandonar a prova. Conta um pouco como foi a preparação e prova.

Sussu – Falar da preparação para essa maratona é gratificante!

Eu me dediquei tanto durante os 4 meses, não faltei nenhum treino, não lesionei, os treinos foram bem puxados, o Fillipe pegou pesado, mas eu amava fazer, chegava empolgada, os do meio de semana fazia sozinha, os longos comecei só, depois o Guilherme apareceu ai era a tampa que faltava (rs), ele me ajudou demais!

Naquele dia dos 36km quando terminei e os treinadores me deram um banho de gelo, foi bem especial, ali ganhei muita confiança, pois tinha feito bem o treino e ainda com a vibração dos treinadores.

Chegado o dia da prova 03/junho/2018, eu estava tão segura da minha preparação que era a tranquilidade em pessoa na largada, algo que não costuma ser assim!

Então meu amigo Alexandre e eu largamos e até o 15km tudo ia perfeito, de repente, a partir do 16km meu corpo já não era mais o mesmo e eu não entendia o que estava acontecendo, o ritmo começou a cair, o corpo jorrava água pelos poros parecia um chuveiro, mesmo assim eu ainda insisti um pouco mais até o 18km quando percebi que a situação era grave, pois respirar já era difícil, o cérebro começou a entrar em pane, então, falei para o meu amigo: “Alexandre tem algo errado comigo, olha para o meu corpo está se derretendo em água”, eu arrepiava, sentia calafrios a frequência cardíaca quase 194 eu praticamente andando, então a solução era parar.

E pela primeira vez abandonei uma corrida que a dedicação tinha sido 100% nos treinos, imagina minha tristeza!

Depois que parei, só pensava em pedir ajuda, então fui bem atendida por pessoas que estavam por perto e uma enfermeira.

Quando o corpo voltou ao normal me bateu uma tristeza por saber que o Fillipe, a Lara, o Sidney, o Gabriel estavam me esperando e eu não chegaria e não tinha como avisá-los naquele momento.

Foi triste! Mas tá superado.

 

Fillipe – Depois da prova pensou em abandonar as maratonas?

Sussu – Nem passou pela minha cabeça!

Primeiro tentei entender porque aquilo tinha acontecido.

Que provação era aquela.

Mas como sou uma pessoa que confia em Deus, logo pensei: Deus sabe de tudo! Eu não tenho que entender nada!

 

Fillipe – O que te motivou a treinar para outra maratona depois do que aconteceu no Rio? E porque escolheu São Paulo, uma prova que seria somente dois meses depois de tudo que aconteceu?

Sussu: Poxa, eu apenas pensava nos 4 meses de treinos tão bem feitos e que não foram testados, então fui pesquisar na internet uma maratona que ainda desse tempo de aproveitar um pouco daquela periodização do Rio, para não perder tudo, ai achei a SP City Marathon que era a mais próxima (2 meses) e a que apresentava uma boa organização, porque se fosse pela altimetria do percurso ela não seria escolhida nunca (rs).

 

Fillipe – Temeu não conseguir completar todo treinamento e outra maratona? O que te motivou? Os riscos eram grandes, pois passamos quase 6 meses treinando para um único objetivo.

Sussu – Não vou negar que temi, desde o dia que eu escolhi a SP City Marathon e perguntei para o Fillipe se ele concordava; e ele respondeu: “Sussu, há um risco grande de você lesionar ou entrar em overtraining, mas vou encarar esse desafio com você, e tomarei todo cuidado para isso não acontecer, mas você vai ter que me relatar tudo que sentir fora do normal.”.

No primeiro longo, após o Rio (18km) que já foi no sábado seguinte, quando completei 15km desabei no choro, pensava no que aconteceu no Rio e falava para o Gui; “não sei se vou aguentar! Serão mais 8 semanas de treino pra maratona, são treinos desgastantes.”.

Mas o medo tem que existir, ele nos motiva superar.

Aguentei!

 

Fillipe – Conta um pouco sobre esses dois meses de treinamento e Maratona de SP.

Sussu – Foi uma fase que tive que treinar muito mais a mente do que o corpo, pois não sou atleta profissional e empurrar mais 2 meses de treinamento pesado, não seria fácil!

Quando faltavam 3 semanas de treinos, os músculos começaram a fadigar, não queriam mais correr, foi bem difícil, eu estressei, uma noite cheguei na Pampulha bem estressada e terminei o treino pior, sem paciência.

Os treinos já não eram mais agradáveis como para o Rio, eu já estava com estafa muscular.

Falei para o Fillipe; acho que estafei, e ele respondeu: “Calma Sussu, pare de malhar e fique só no pilates”.

Aquilo foi o céu para mim (rs) e de uma experiência tremenda dele!

No pilates, a professora falou: “Sussu, seu centro de força tá pedindo socorro”.

E estava mesmo, mas eu já tinha ido até ali e queria ir até o fim…

Finalmente chegou o dia da maratona (29/07/2018), apesar do corpo moído de cansado larguei confiante que iria até o fim, o percurso é bem técnico, com muitas subidas e descidas até o 21km, sem contar o um túnel com 1.6km de pura fumaça (rs), depois vem à parte plana, mas ainda com alguma subidas de viadutos, quando cheguei no 36km estava só o lixo!

Dali pra frente confesso que foi a força da mente que levou!

E Graças a Deus, conclui com muito orgulho de mim!

Essa maratona, dos treinamentos a prova, me fez descobrir o meu lado de superar limites! Foi show!

O Fillipe, como treinador, superou todas as minhas expectativas.

Além de competente, é atencioso, preocupado, foi muito solidário na minha tristeza pelo que aconteceu no Rio, encarou SP comigo em segredo, para me poupar (um cúmplice).

Obrigada meu amigo e treinador!

 

Fillipe – Quais são os próximos objetivos para 2018 e quando será a próxima Maratona?

Sussu – O Fillipe já me conhece!

Sabe que sem objetivo eu não apareço nos treinos, então vamos brincar de acelerar nos 10km até o final do ano e correr a VIP!

A próxima Maratona deve ser no 2º semestre de 2019, mas, ainda não escolhi!

 

 Fillipe – O que você tem a dizer quem quer cumprir sua primeira Maratona?

Sussu – Antes de pensar em correr uma maratona, primeiro tenha a certeza que ama correr (rs), depois converse com o seu treinador, respeite os limites do seu corpo, porque o desgaste é grande, nunca se compare com os outros corredores ou tente ser igual, cada um é cada um, busque apenas inspirações.

Corra por você e para você!

E vamos ser feliz!

Fé em Deus, sempre!

 

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