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16/04/2018

Café ajuda a correr mais rápido?

Coluna do treinador

Seu desempenho na corrida melhora tomando café? Saiba que a resposta dessa pergunta está diretamente relacionada a sua genética.

Há alguns anos, Ahmed El-Sohemy, professor de ciência nutricional da Universidade de Toronto, no Canadá, estuda como os genes das pessoas influenciam as reações de seus corpos a alimentos e dietas.

Ele é o fundador da Nutrigenomix, uma empresa que fornece testes genéticos relacionados à nutrição.

Até então, outros cientistas haviam estabelecido que um gene específico afeta a forma como as pessoas metabolizam a cafeína. Esse gene, chamado de CYP1A2, controla uma enzima responsável pela digestão da cafeína no corpo.

 

 

Uma variação do gene CYP1A2 leva o corpo a metabolizar rapidamente a cafeína.  Segundo a maioria das estimativas, cerca de metade das pessoas são metabolizadores rápidos.

Outra variante do gene retarda o metabolismo da cafeína, são as pessoas consideradas metabolizadores lentos de cafeína.

Acredita-se que cerca de 90% são metabolizadores rápidos ou moderados de cafeína e somente 10% sejam metabolizadores lentos.

Em 2006, o Dr. El-Sohemy e seus colegas publicaram um estudo no JAMA mostrando que os metabolizadores lentos tinham um alto risco de ataques cardíacos se bebessem café com frequência, em comparação com pessoas geneticamente classificadas como metabolizadores rápidos de cafeína.

Os cientistas teorizaram que a cafeína ao contrair os vasos sangüíneos, produzia efeitos cardíacos mais duradouros – e, neste caso, indesejáveis ​​- entre os metabolizadores lentos.

Mas poucos experimentos grandes se concentraram em como o perfil genético da CYP1A2 pode influenciar no desempenho atlético após a ingestão de cafeína.

 

A pesquisa

Assim, para o novo estudo publicado na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, o Dr. El-Sohemy e sua equipe, decidiram reunir cerca de 100 jovens atletas.

Eles analisaram os genes CYP1A2  de cada um deles classificando-os  de uma das três formas: metabolizadores rápidos, moderados ou lentos da cafeína.

Em seguida, eles fizeram os atletas realizarem três sessões de 10km pedalando o mais rápido possível. Na primeira sessão eles recebiam uma dose baixa de cafeína (2 miligramas por cada quilo de seu peso corporal, ou aproximadamente a quantidade encontrada em uma grande xícara de café).

Na segunda sessão eles ingeriram o dobro dessa quantidade de cafeína e antes da última sessão eles tomavam um placebo.

 

Os resultados

Os resultados mostraram que, em conjunto, os participantes tiveram melhor desempenho com cafeína, especialmente após a sessão com maior quantidade.

Mas houve diferenças substanciais por tipo de gene.

Os metabolizadores rápidos melhoraram quase 7% do seu tempo na segunda sessão comparada a sessão correspondente ao placebo. Os metabolizadores moderados, em contraste, realizaram quase exatamente o mesmo, tanto tomando cafeína quando tomando placebo.

Foram os metabolizadores lentos, no entanto, que mostraram o maior impacto negativo.

Eles completaram a sessão de 10km cerca de 14% mais lentos após a dose mais alta de cafeína comparado aos 10km do placebo.

Segundo o estudo, suspeita-se que a cafeína permanece nos metabolizadores lentos, estreitando os vasos sanguíneos e reduzindo o a quantidade de oxigênio para os músculos,  fazendo com que fiquem cansados.

Nos metabolizadores rápidos, a cafeína provavelmente forneceu uma descarga de energia e, em seguida, foi eliminada do corpo antes que pudesse fazer qualquer mal.

 

Vale para corredores?

Importante lembrar que este estudo envolveu apenas homens jovens saudáveis ​​e ciclistas. Não podemos dizer (cientificamente) que a cafeína aumenta ou diminui o desempenho de outras pessoas em outros esportes.

Importante frisar que o desempenho físico envolve muitos fatores, incluindo motivação, sono, estresse, nutrição geral e o funcionamento de um grande número de genes, muitos inclusive ainda não identificados.

Então, se para você o café parece reduzir seu desempenho, existe um boa chance de você fazer parte dos 10% que metabolizam lentamente a cafeína.

Talvez seja possível realizar análises genéticas em laboratórios privados e confirmar essa suspeita, mas imagino que o custo benefício possivelmente não irá valer a pena.

 

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