Blog

13/11/2017

Relato da Nagai: Maratona de Chicago

Maratona, Post da Nagai, Relatos, Roteiros e viagens

Já faz mais de um mês da Maratona de Chicago 2017 e tenho relembrado desta prova em todas as semanas seguintes pelo tanto que a experiência foi incrível e toda grandeza deste projeto que se iniciou a partir da confirmação de inscrição em dezembro de 2016 e início dos treinos no final de junho (pós-meia do Rio). Confira essa aventura!

 

Do último treino à retirada do kit…

 

Voltando no final de setembro, no meu auge de ansiedade, tive problemas gastrointestinais que me fizeram inclusive dividir meu treino no sábado e domingo manhã e até dores nunca antes sentidas na lateral do joelho.

Depois entrei de férias e peguei uma gripe talvez pelo último treino que foi um “aquathlon”, pois a corrida se transformou praticamente em natação com tanta chuva. Tomei remédios até sarar, coisa que faço somente quando sintomas são realmente insuportáveis. Neste caso, o que seria insuportável era mais a ideia de não concluir a prova do que a garganta ruim e o nariz entupido.

A Expo atingiu todas as minhas expectativas em relação à grandiosidade esperada para uma Major:

-Eficiente retirada de kit, mesmo com 2 dias de expo que aguardavam aproximadamente 40 mil atletas;

-Transporte gratuito que funcionava muito bem;

-Muitos expositores de tudo do universo de corrida;

-Produtos da Nike para Maratona e da Abbott para o evento das Six Majors (veja meu post em que explico no detalhe as provas que compõe mo circuito);

-Agenda bacana de palestras com um dos médicos que participou do Breaking2, Paula Radcliffe e tantas outras personalidades

-Todos aqueles detalhes que tornam a experiência divertida: fincar alfinete no mapa indicando seu país, anotar seu tempo no mural, gravar vídeos, escrever mensagens para os atletas visualizarem no telão durante prova, etc.

 

O grande dia!

 

Fiquei localizada próxima a estação Chicago na linha vermelha e isso ajudou muito a sair do hotel antes das 6h, deslocar a pé até a estação e depois eram apenas 3 estações. A plataforma do metrô estava dominada de corredores, atletas falando “n” idiomas  e uns valentes comendo cheeseburguer como pré-treino.

O acesso à área da minha largada  foi totalmente sem espera em filas. Produtos Gatorade (carb chews, gels, isotônico) e água a vontade. A fila do banheiro estava gigante faltando menos de 1h para prova, o que me fez desistir e para minha surpresa, encontrei vários banheiros livres no caminho para baia de largada.

A largada foi muito animada, partindo do museu de arte e com hino nacional cantado a capela. Como foi amplamente noticiado temperaturas mais elevadas, acima de 20°C, mais que a média histórica de 7-17°C.

Nunca vi tantas pessoas ao longo da prova torcendo desde 7h, muitos cartazes gigantes com fotos dos corredores, público com bacia de frutas para os atletas, etc. A cidade respira corrida e os americanos sabem muito bem valorizar o esporte.

A cordialidade vista na corrida é única, não se replica para o dia-a-dia em que americanos costumam ser mais impacientes com turistas no atendimento em lojas e restaurantes.

Monitorei meu ritmo para 5:30-5:45 por km desde início, controlando ataques de ansiedade que me fizessem acelerar e fadigar antes do previsto. Na maratona, como tantas atletas prodissionais e amadores profetizam, é inevitável a dor e o que aprendemos no ciclo de treinamento é estar preparada(o) para tolerar ela, saber correr quando a fadiga chega e trava suas pernas.

O que muda quando estamos bem treinados é justamente o momento que tudo isso ocorre e o quanto sofremos diante disso.

 

Plano B: completar a prova.

 

Até o km 30, executei conforme tinha planejado e rascunhado no mapa da prova, todos km ou milhas em que precisava suplementar. Pouco antes desse marco, comecei a ver meu batimento cardíaco alto, esforço tava bem alto para tentar manter um pace de 5:45 ou inferior.

Cheguei a perceber que minha pressão estava baixa e estava sedenta por água em todos os postos de hidratação. Foram os primeiros sinais que um sub-4h estava comprometido até a primeira câimbra na perna esquerda: fui impulsionar com ela e a perna parece que congelou flexionada e os dedos do pé dobraram pra trás como se alguém estivesse puxando.

A partir disso, foram algumas sequências de câimbras com caminhadas/corridas e tentando concentrar para sofrer o mínimo possível. Agora não tinha mais o plano “A” sub-4h, mas o plano “B” de concluir bem a prova.

A energia do público e a beleza do percurso me mantiveram firme nos últimos 12km, os mais doloridos e improváveis pra quem treina em BH e já enfrentou uma maratona em SP com temperaturas perto de 32 graus.

Obviamente não desistira depois de tantas horas e dólares gastos nesse projeto, simplesmente larguei mão de olhar para Garmin e segui em frente. Valorizei todos os meses em que acordei antes das 5h para correr por quase 3h, os atletas BHRace que tanto me incentivaram e correram comigo, o paciente treinador que respondia todas minhas dúvidas e ouvia sem reclamar minhas lamentações.

 

Alívio e Satisfação

 

Atravessar a linha de chegada, após 4h30min, sinceramente foi antes de tudo um alívio por ver o fim deste projeto e poder realmente relaxar na semana seguinte em Chicago, negando tudo que fiz nos últimos meses (alimentação regrada, atenção às horas de sono e descanso, etc).

E também estava tão centrada em terminar que nem cheguei perto de me emocionar, o que não diminui a grandiosidade deste feito para mim.

Encontrar corredores de BH, minha mãe e Rafa foi muito fácil, havia uma área chamada Runners Reunite e cerveja local Goose Island para recuperação pós prova.

Com relação ao tempo alvo de prova, pensei no sub-4h como uma gratificação que iria ser adiada para 2018, na Maratona de Porto Alegre em que vou participar pela terceira vez na distância.

Recomendo a todos maratonistas ou futuros maratonistas que, dentro da realidade de cada (principalmente o aspecto financeiro e disponibilidade de agenda), vivam a experiência de uma Major.

São ótimas oportunidades de participar de provas realmente planejadas para o atleta vivenciar e celebrar toda sua trajetória no esporte. Se for sua primeira, Chicago é um dos melhores destinos por ser uma das que requer menos investimento e mais fácil de ser selecionado via sorteio.

Ainda quero completar as Six Marathon Majors, tenho isso como objetivo a médio-longo prazo.

 

 

Vamos Treinar?

Conheça o treinamento online BHRace. Corra onde e quando quiser, com orientação profissional.


Deixe seu email e receba nossa news