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29/06/2017

Porque correr com inclinação?

Coluna do treinador

Você já deve ter se perguntado: “Se a prova que eu quero correr é plana, então porque o meu treinador me prescreveu treino de corrida com inclinação?”.

É claro que esse tipo de treino é específico e essencial para quem está se preparando para provas com percursos de subida e descida.

Mas além disso, o treino com inclinação proporciona adaptações biomecânicas e fisiológicas ao organismo que são extremamente importantes para a melhora do desempenho na corrida de forma geral.

Na corrida de subida, a frequência da passada tende a aumentar enquanto o comprimento da passada a diminuir quando comparada à corrida no plano.

Essas mudanças levam há uma maior atividade muscular dos membros inferiores e consequentemente há um maior gasto energético.

Por isso, dependendo da prescrição, alguns treinos de subida podem ser considerados treinos de força.

Na corrida em descida, a fase de propulsão do pé é diminuída, enquanto a fase de frenagem é aumentada. Isso acontece porque temos uma maior tendência a apoiar o retropé, ou seja, a parte posterior do pé.

Uma vantagem dos treinos em descida é o aumento do trabalho excêntrico, que contribui para o fortalecimento dos membros inferiores.

Além disso, o gasto energético é bem menor quando comparado ao treino plano (1).

 

“Então quanto mais descida mais fácil fica, certo?”

 

Não! Quando o declive ultrapassa 20% (como o tobogã da Av. do Contorno, por exemplo) o gasto energético começa a ser maior do que o plano, pois temos que fazer muito mais força para frear o movimento.

Além disso, o excesso de treinos em descida estão associados à lesões de membros inferiores, devido ao estresse musculoesquelético causado pelo aumento do choque de calcanhar e aceleração tibial (2).

É por isso que a corrida em descida não é uma boa indicação para corredores iniciantes, e mesmo os corredores experientes devem tomar cuidado com o volume desse tipo de treino.

Os treinos com inclinação podem ser ótimas opções para melhorar o desempenho na corrida, mas a orientação do treinador é fundamental para o equilíbrio das diversas possibilidades que esse tipo de treino proporciona.

 

Referências

 

  1. VERNILLO, Gianluca et al. Biomechanics and physiology of uphill and downhill running. Sports Medicine, p. 1-15, 2016.
    2. GOTTSCHALL, Jinger S.; KRAM, Rodger. Ground reaction forces during downhill and uphill running. Journal of biomechanics, v. 38, n. 3, p. 445-452, 2005.

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